22 de nov de 2009

ONTEM


Ontem você passou a maior parte de seu tempo,
Tentando planejar o seu hoje
Agora pare pra pensar...
De tudo o que você planejou,
O que realmente aconteceu?

Talvez tenha planejado acordar com pé direito,
Mas acordou com pressa, do lado errado da cama!
Talvez, tenha planejado comer panquecas,
Mas só havia pão de ontem e não estava com tempo de ir à padaria.

Ou talvez quisesse acordar com calma,
Ir até a varanda e sentir o ar puro da manhã...
Mas mora de frente com indústria que vive expelindo fumaça!

Talvez quisesse acordar sentindo a maior sorte do mundo,
Mas logo pela manhã, quebrou um espelho,
Saiu pra rua e cruzou com um gato preto...
E já começou a sentir seu belo dia ir por água abaixo!

Mas, mesmo que tudo esteja parecendo dar errado, Não desanime,
Tudo o que acontece,
Existe para fins às vezes além da compreensão.
Nunca deixe de planejar o seu amanhã,
Pois se caso ele amanhecer sem nenhum planejamento,
Não se lamente pelo Ontem que você deixou passar,
Hoje será o ontem de amanhã,
Ainda há tempo, faça bom proveito!

11 de nov de 2009

O DIA ACABOU NO MOMENTO EM QUE OS OLHOS SE ABRIRAM



Voltemos ao negro 8 de Dezembro de 2004. A notícia da morte de Darrell Abbott, o "Dimebag", guitarrista do Damageplan, e ex-Pantera, atingiu em cheio milhões de pessoas ao redor do mundo. Os disparos precisos contra a cabeça do músico e também em direção ao público e a outros membros de sua banda ricochetearam milhas de distância e levaram a nocaute meros leitores, espectadores espantados digitando milhares de endereços WEB em busca de maiores informações sobre o inaceitável.
Mark Chapman, o monstro de cerca de duas décadas e meia atrás, ganhava nova forma e disposição na pessoa de Nathan Gale, jovem de vinte e cinco anos, ex-integrante da marinha norte-americana, que decidiu tentar outro papel na vida que não o de figurante. Ele subiu ao palco logo nos primeiros segundos da apresentação do Damageplan e derrubou um dos guitarristas mais influentes e saudados dos anos noventa com quatro ou cinco tiros a queima-roupa.
Detentor de um estilo distinto, de timbres fortíssimos, e harmônicos inimagináveis, Dimebag contribuiu para diferentes concepções acerca da música pesada, a maneira de tocá-la, e as suas possibilidades. Influenciou toda uma geração levando seus objetivos à extremidade da prática e constituindo, após uma fase hard rock inicial, um dos mais convincentes e brutais conjuntos de metal da história, o PanterA, ao lado de Rex Brown (baixo), Phil Anselmo (vocais), e de seu irmão Vinnie Paul (Vince Abbott - bateria).
Um ano antes abandonou sua bem-sucedida investida devido a excessivo desgaste na relação do conjunto e, especialmente, sérios conflitos com o vocalista. Imediatamente, e em família, o esqueleto de um novo projeto surgia. Os Abbott criavam o New Found Power, posteriormente mudando de nome para Damageplan, e concretizando a formação com Bob Zilla (baixo) e Patrick Lachman (Diesel Machine – Halford).
Apesar de certo sucesso, o álbum de estréia que levou o antigo nome proposto para o grupo, não rendeu o desejado. Vendeu pouco perto dos lançamentos anteriores em que se envolveram os irmãos e mostrou que havia muito o que melhorar e, o principal, que a sombra do PanterA não os deixaria.
Segundo alguns relatos de testemunhas, os motivos que levaram Gale ao crime tinham estreita conexão à separação e às subseqüentes brigas com o polêmico Phil Anselmo.
O assassinato de Dimebag Darrell, quaisquer sejam as razões, marca a ferro quente o corpo do rock. Destrói um grupo, despedaça sentimentos e faz-me perguntar durante horas: "o que esperar da raça humana? Algo mais?"
Quando um indivíduo sobe num palco para assassinar o artista que idolatra, perdemos a referência, o ponto de apoio. A coisa só piora e devemos seriamente nos questionar quem é o verdadeiro doente nisso tudo quando a dor da morte é praticamente ignorada pela maior rede de televisão de um país.
Além de reportagem evasiva, a Globo levou ao seu jornal de fim-de-noite um discurso calcado no famoso e dominante "falso moralismo". A vítima virou responsável pela própria morte, pelo simples fato de existir e dedicar seu tempo a tocar um instrumento. A monstruosidade torna-se justificável no dizer popular de "violência gera violência". Como se a agressividade da música dissesse da relação fãs-ídolos. Ora, Arnaldo Jabor & cia, há vinte e nove anos atrás John Lennon sofria ataque similar "tocando a suave ‘Imagine’", desejando um mundo melhor. Onde Mark Chapman, o assassino do eterno Beatle, haveria sido afetado por aquilo que você chama de "barulho"? Na pancadaria de dedos contra um teclado? Assim sendo, que tal imaginar os surtos que fãs de Wagner e Beethoven deveriam ter vendo então violinos debulhados por execuções maestrais de suas composições?
Tudo o que eu precisava neste momento era não saber. E é talvez este um dos grandes problemas deste "maravilhoso mundo". Estamos cansados de saber. Informação, conhecimento, todos essas glórias de seres racionais que se comportam de maneira consideravelmente mais animal que a maioria das espécies que já exterminou ou ainda pretende findar.
Ser humano... este maldito "humano" que nos diferencia e faz com que imaginemos alguma superioridade em relação aos outros seres pela racionalidade, pelo simples pensar. De que vale isto frente a uma arma, dois aviões colidindo com prédios? Para que? Por quê?
Quanto mais tentamos explicar, mais criamos seres que primam por tentar alcançar a genialidade de outros em tempos passados, ou seja, batalham arduamente para se tornarem inexplicáveis. Esta é a maior semelhança entre Chapman, Gale, e esta quantidade de "maníacos" - como acostumamo-nos a chamar – por aí na atualidade. Neste sentido, aproximam-se, em seus próprios tempos, e por vias trágicas, das características de grandes gênios, incompreendidos e odiados por seus contemporâneos.
O que posso chamar de factualmente genial é, longe de toda essa racionalidade, a obra do alienado. Afinal, a coisa mais incompreensível é como alguém pode dissertar sobre um "mundo maravilhoso". Louis Armstrong sim é um gênio delirante, absoluto. Que este mestre divida conosco, pobres hiperconscientizados pós-modernistas, a habilidade de se alienar, criando uma auto-proteção capaz de afastar-nos das terríveis realidades diárias, ou do simples fato de existirmos, ou como bem alerta a ambígua expressão, de "corrermos risco de vida" por estarmos simplesmente vivos.
Amanhã é outro dia, a ruína de sentimentos, o despedaçado ser (supostamente humano) deve responder à sua sociedade (supostamente racional), trabalhando, estudando, se relacionando, como se nada houvesse acontecido.

8 de nov de 2009

DEFINO-ME


Tão pequenino estou frente ao universo
querendo extravasar de meu interior
uma avalanche de pensamentos
alegres ou tristes,
depende,
da chuva ou vento,
sou como a natureza
mudando estações
em ciclos,
momento a momento.

6 de nov de 2009

SILÊNCIO


Será ele uma forma de expressar-se, ou simplesmente é a falta do que dizer?
O que quer dizer do silêncio então?
O silêncio pode demonstrar medo, ou coragem.
Quem sabe ainda, pode querer dizer te amo, ou não te quero mais.
Pode significar sou louco por você, ou então não te suporto.
Pode ainda mostrar tudo o que você é como mascarar o que teme ser.
Muito silêncio pode fazer você enlouquecer, mas um pouco pode te trazer paz.
Acompanhado de um olhar diz muito, e se o olhar se desvia com o silêncio pode também dizer muito.
Ele pode mostrar toda confiança de uma pessoa, ou todas suas incertezas.
O silêncio pode mostrar tristeza, respeito, atenção, compaixão, porque não dizer até a paixão, apreensão, ou solidão. Um pouco de silêncio pode dizer tudo, ou apenas nada.
Se ele existe, então deve ter uma razão.
Ou talvez não, só está aí pra se esconder o que há no coração.
Ah o silêncio! Às vezes ele é ensurdecedor, às vezes nem podemos lidar com ele.
Mas enfim, o que devemos fazer com o silêncio?
Será que o silêncio pode nos vencer? Será que vai nos enlouquecer?
Pode ser, a menos que se diga o que queres dizer.

2 de nov de 2009

ESCRAVOS


Escravos, do tempo, do amor, da vida,

Do prazer, do corpo, de mim.

Libertos por lei dos homens, mas não pela lei do coração,

Ou pela vontade de viver, reconhecer que somos escravos,

Simples, mas valiosos escravos,

Porque é isso que somos.

Estamos presos a um sentimento árduo,

No qual estamos sujeito a sobreviver dia após dia, escravo.