15 de ago de 2009

O ILUMINADO


“São 5 da tarde, vai parecer que ninguém nunca esteve aqui” São diálogos como esse que fazem parte do filme “O iluminado” de 1980, com direção de Stanley Kubrick e como ator principal o fabuloso Jack Nicholson. Escritor frustrado é contratado como zelador de um hotel em baixa temporada e, isolado com sua mulher e filho, gradualmente enlouquece enquanto forças sobrenaturais começam a perseguí-lo. O assunto que mais me interessou no filme e pelo fato de eu ter escolhido essa obra, são os diferentes níveis de alucinação que cada personagem atinge durante o filme. À medida que o tempo passa Danny, que mostra aparentar ter poderes psíquicos, é o primeiro a ver cenas de assassinatos sangrentos que aconteceram no Hotel anos antes. Logo após, Jack afunda devagar, mas inexoravelmente na loucura e também em visões como na cena em que ele implora por uma bebida em um lugar do hotel onde não tem garrafa nenhuma, e de repente surge um barman chamando-o pelo nome. Embora não tenha consciência do que está acontecendo com ele, com o passar do tempo seu comportamento se torna mais errado e violento. Há a hipótese por causa do comportamento tão diferente é que ele sofra a “Síndrome da cabana”, que ocorre quando pessoas vivendo muito isoladas se rebelam umas contra outras. Uma impressão de semelhança é que tanto o hotel quanto o próprio Jack são inofensivos. O primeiro está lotado, aconchegante, exala um clima de civilização que se dissiparia nos vácuos abertos com a queda do inverno. O segundo é simplesmente a pessoa mais simpática da Terra. Os dois juntos, no entanto, são faces de um mesmo demônio, águas de uma mesma correnteza de loucura alcançada através do fracasso pessoal, da solidão e do desespero; é o princípio de uma sensação que simplesmente não se encontra em filme algum. E por fim, distraída pela retração de Danny e pelo comportamento irracional de Jack, Wendy é a última a sucumbir, apesar de estar beirando a histeria pelas inúmeras ameaças e perseguições que o próprio marido Jack faz, ela consegue sobreviver com o filho, em um dos finais mais dramáticos que eu já pude presenciar em um filme.


P.S.: Esse texto eu escrevi para ser entregue no grupo de cinema da faculdade. Vimos inúmeros filmes e tinha que escolher um para fazer o texto, eu escolhi O Iluminado.

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